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Texto de apresentação do jornal publicado em 1979, de que saíram apenas dois números.

BORBOLET(R)A viveu aventuras várias e extraordinárias antes de se fazer JORNAL.

Quando as Ideias Flutuantes ancoraram no seu corpo frágil, Borboletra compreendeu que o seu destino era transpor a fronteira do Sonho e os limites da Imaginação, fazer-se barca e deslizar pela água clara da Fantasia, bater as asas resoluta e ir ao encontro das Letras. Aprender a fazer com elas as Palavras. E, com as palavras, aprender a fazer frases. E depois, com as frases aprender a fazer Prosa. Mas onde aprender tanta coisa? Foi então que veio ao seu encontro o Pé de Vento e lhe segredou: Na Escola das Mariprosas podes aprender tudo isso e muito mais… Vem comigo. 

Borboletra preparou-se para a viagem, enquanto o Pé de Vento lhe contava que cada palavra tem um halo de luz, um hálito de perfume, uma cor, um sabor, uma música própria. À partida, borboletra fechou os olhos por causa do impulso e ainda mal os tinha aberto, quando o Pé de Vento lhe disse: Chegámos! Esta é a Escola das Mariprosas. Adeus!

Borboletra não sabia se estava num jardim, se no arco-íris, se numa nebulosa! Não podia acreditar no que via! Primeiro, deslumbrada e entontecida pelas cores, pelos aromas pelo movimento… Depois, seduzida pela voz de uma das Mariprosas que a avisava de que a tarefa era difícil, mas valia a pena: Uma longa e fascinante paciência! De facto, havia letras teimosas. Algumas, nunca se queriam juntas: empurravam-se engalfinhavam-se, acabavam por amuar. Mas restabelecida a harmonia, Borboletra pôde aprender a chamar as coisas pelo nome. Ouvira dizer com insistência que todas as coisas tinham nome. Até aí, tudo era simples… Tudo, porém, se complicou, quando lhe disseram que havia coisas que tinham vários nomes, isto é, que às vezes havia várias palavras para uma única coisa. Como saber que palavra usar sempre que quisesse chamar uma coisa? Teve então uma ideia. Talvez saboreando cada palavra, sopesando-a, sentindo-a, (g)usando-a, ela conseguisse não contrariar a realidade sempre diferente que é cada coisa… 

Soube depois que há palavras como borboletas, com asas transparentes e irisadas. E, ao bater as asas de alegria por esta revelação, brotam delas versos transluzentes como as próprias asas… Uns, tinham pequenos pés de vento. Outros, tinham pé quebrado. Outros ainda, de muitos pés, pareciam centopeias!

Palavras havia, todavia, que eram como as pessoas: pequenas ou grandes; magras ou gordas; leves ou pesadas; alegres ou tristes; tímidas ou arrogantes; vivas ou sonolentas. Outras, eram diferentes do que à primeira vista pareciam… Tudo dependia das letras: umas ásperas, outras doces; umas surdas, outras sonoras; umas amáveis, outras mal-humoradas. Constatou ainda com enorme espanto que havia palavras trapezistas que os acentos faziam voar até às alturas. Deslizavam depois no espaço e no tempo, suspensas dos seus trapézios oblíquos… Mas nada a maravilhava mais do que aquelas palavras brilhantes como estrelas que formavam constelações de sentidos. 

Muitas coisas lhe aconteceram ainda, que seria longo de contar. Por fim, concluída a sua instrução, chegou o momento de partir. Disse-lhe então uma das Mariprosas: Agora sim, és uma verdadeira BORBOLETRA! Já sabes ler os sinais de tudo em tudo…

BORBOLETRA bateu as asas loucamente e com ela voaram todas as palavras que ela tinha aprendido. E, pelo caminho, ia encontrando palavras soltas no ar (por alguém esquecidas?) que se juntavam às que tinha aprendido. Era um tropel de ágeis corcéis brancos galopando, galopando no tempo. Alertado por tanto rumor, Pé de Vento veio caminhando em sentido contrário, ao encontro, sem saber, da nossa BORBOLETRA. Maravilhado com tão surpreendente metamorfose, propôs-lhe então que ela se fizesse JORNAL. BORBOLETRA aceitou com entusiasmo tal proposta e voejando de imaginação em imaginação umas vezes, outras borboletreando fez-se Prosa e fez-se Poema de grandes e de pequenos. Aí vai ela ao teu encontro. Leva-te histórias verdadeiras e histórias inventadas. Mas entre o Sonho e a Realidade, entre a Invenção e a Verdade existirão mesmo fronteiras.

BORBOLETRA é o teu JORNAL !

Ela será o que tu quiseres. Voará até onde estiveres.

Escreve para BORBOLETRA.  

Maria João Reynaud

 

 

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