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Espectáculos             Borbolet(r)a 

 

 

 

 

PÉ DE VENTO 30 ANOS – 1978/2008

 

Dezembro 2008 - Fevereiro 2009 - Galeria do Palácio, Porto

 

 

Uma linha contínua*

 

Toda a trajectória artística supõe diversos percursos e etapas.

 

Em 1978 quando o “grupo” de teatro Pé de Vento iniciou esta sua caminhada, sabia onde queria chegar, embora desconhecesse as encruzilhadas e os obstáculos que teria de ultrapassar. O percurso estético, esse, foi sendo construído a par e passo, clarificando-se espectáculo a espectáculo.

 

O Teatro, o espectáculo teatral, é por essência pluridisciplinar, na medida em que convoca para o palco todas as outras artes. E é também efémero, porque no momento em que o pano desce sobre a última representação e a presença do actor se desvanece o que fica são fragmentos – textos, cenários, figurinos, máscaras, adereços… – que deram verosimilhança às personagens ou enquadraram os actores no acto de criação das suas vidas imaginárias e dispersas por múltiplos tempos.

 

Desde a sua fundação que o Pé de Vento concebeu a sua actividade como uma companhia, ou seja: algo mais que um simples grupo de pessoas que se junta para fazer teatro. A cumplicidade, o afecto, a liberdade e o respeito pelo trabalho de cada um dos nossos colaboradores levou-nos sempre a procurar preservar os elementos que, ao longo dos anos, têm marcado o trajecto estético e artístico da companhia. Tanto mais que esses elementos, após a sua presença em palco, passaram a pertencer também ao público, tornando-se património comum.

 

E assim se foi construindo e organizando este espólio, que se tornou necessário preservar, e transformou a companhia no seu único fiel depositário. Em certo sentido, também o tempo e a memória se encarregaram de fazer a sua própria escolha.

 

São esses fragmentos dispersos que agora se reúnem nesta exposição, concebida para assinalar os 30 anos do Pé de Vento e, antes de mais, dedicada ao público que tem acompanhado e apoiado a nossa actividade ao longo de três décadas.

 

Para o Pé de Vento, esta exposição constitui um momento importante de reflexão sobre o nosso próprio trabalho; sobre a nossa concepção de teatro; sobre a nossa abordagem da expressão contemporânea no teatro; sobre as cumplicidades que se foram gerando; sobre os públicos que nos têm acompanhado e que cresceram connosco; sobre…

 

Retirados os objectos expostos do contexto inicial, desfeitos os segredos, pode agora o visitante tornar-se espectador activo: sonhar, entrar em cena e, também ele, viver um mundo de faz de conta. Ou melhor: representar a brincar uma vida a sério.

 

* Texto de apresentação

 

 

 

 

 

 

FIGURAS  &  FIGURINOS nos 30 anos do Pé de Vento

 

2008 - 15 de Fev./22 de Março

Salão Nobre Acácio Gomes, Junta de Freguesia de Aldoar, Porto

 

 

Quem diria…*

 

Quem diria em 1978, quando iniciámos a actividade teatral como companhia profissional, que haveríamos de chegar aos 30 anos de trabalho continuado, sem nunca ter deixado de privilegiar o público infanto-juvenil, nem a cidade do Porto. (…)

 

Esta exposição de figurinos de alguns dos nossos espectáculos, montada no Salão Nobre Acácio Gomes da Junta de Freguesia de Aldoar, é um acto de agradecimento e de retribuição para com quem nos acolheu há 12 anos e tornou possível que o Pé de Vento prosseguisse a sua actividade no Teatro da Vilarinha. E, também, para com aqueles que continuam a apoiar o nosso trabalho dirigido aos mais novos.

 

Este é o primeiro acto público que assinala os 30 anos de actividade do Pé de Vento.

 

* Excertos do texto de apresentação

 

 

 

 

 

 

TEATRO DA VILARINHA – 10 ANOS

 

Dezembro 2006 / Janeiro 2007 - Galeria do Palácio, Porto

 

 

Quem ousaria pensar em Outubro de 1996 que, volvidos 10 anos, teriam passado pelo Teatro da Vilarinha 100 mil espectadores para assistir às 1.500 sessões que até agora tiveram lugar nesta sala de espectáculos.

 

Quem, de entre nós, ousou pensar que 10 anos depois poderíamos mostrar um conjunto tão diversificado de materiais – adereços, figurinos, máscaras, cenários, fotografias… – que nos envolveram nesta caminhada.

 

Por isso, reunimos nesta exposição fragmentos dos vários universos cénicos que nestes 10 anos fomos gerando neste palco que, mesmo sem a presença dos actores, são ainda capazes de nos transportar para outros mundos, agora feitos de memória e de esquecimento.

(…)

Fazendo nossas as palavras de Raul Brandão, um dos autores que encenámos, cremos que o “trabalho de teatro deve ser (…) a alma descarnada das coisa apenas e, por isso mesmo, para que apaixone é preciso que seja simples, e cavando fundo no coração humano. Tenho esta imagem: a peça de teatro deveria ser como uma grande árvore sem folhas – nua e coberta de flor…”                                            

 

*Excertos do texto de apresentação

 

 

 

 

 

 

EXPOSIÇÃO DE BRINQUEDOS ANTIGOS

nos 25 ANOS do Pé de vento

 

2003 – 30 de Maio/11 de Junho

Núcleo Rural do Parque da Cidade, Porto

 

 

25 anos depois da primeira mostra de brinquedos de madeira na Cooperativa Árvore, voltamos a apresentar a nossa colecção que, entretanto, não só cresceu, como se diversificou. Hoje, ao ser apresentada no Núcleo Rural do Parque da Cidade não resistimos a transcrever o texto de Roland Barthes, que inserimos no programa de 1978, publicado em Mitologias que sob o título brinquedos escreveu:

 

“Os brinquedos correntes representam essencialmente um microcosmo adulto: Todos eles são reproduções em miniatura de objectos humanos, como se aos olhos do público a criança não fosse, em suma, senão um homem mais pequeno, um homúnculo a quem é preciso fornecer objectos à sua medida.

O brinquedo mostra aqui o catálogo de tudo aquilo de que o adulto não se espanta: a guerra, a burocracia, a fealdade, os marcianos, etc.. Não é, aliás, tanto a imitação que constitui um símbolo de abdicação como a sua literalidade. Há, por exemplo, bonecas que urinam: são dotadas de esófago, dá-se-lhes o biberão, molham as fraldas; dentro em pouco, sem dúvida nenhuma, o leite se lhes transformará em água na barriga. Deste modo se pode preparar a rapariguinha para a causalidade doméstica, condicioná-la para o seu futuro papel de mãe. Simplesmente, perante este universo de objectos fiéis e complicados, a criança não pode deixar de constituir-se em proprietária, em utilizadora, nunca em criadora; ela não inventa o mundo, utiliza-o: os adultos preparam-lhe gestos sem aventura, sem admiração e sem alegria. Fazem dela um pequeno proprietário em pantufas, que não tem sequer de inventar as molas interiores da causalidade adulta; estas são-lhe fornecidas já prontas: basta-lhe servir-se delas, nenhum percurso lhe é deixado. O mais pequeno jogo de construção, desde que não seja demasiado complicado, implica uma aprendizagem do mundo bem diferente: a criança não cria de nenhum modo com ele objectos significativos, pouco lhe importa que tenham ou não um nome adulto: o que ela exerce não é um uso, mas uma demiurgia; cria formas que andam, que rolam, cria uma vida, não uma propriedade; os objectos movem-se por si mesmos, deixando de ser uma matéria inerte e complicada na palma da mão.

O emburguesamento do brinquedo não se reconhece somente através das formas, que são inteiramente funcionais, mas também através da sua substância. Os brinquedos correntes são de uma matéria ingrata, produtos de uma química, não de uma natureza. Muitos deles são agora moldados em massas complicadas; a matéria plástica assume neles uma aparência simultaneamente grosseira e higiénica, que anula o prazer, a doçura, a humanidade do tacto. Um signo consternador é o desaparecimento progressivo da madeira, matéria que é todavia ideal pela sua dureza e pela sua doçura, pelo calor natural do seu contacto; a madeira retira a toda a forma a que serve de suporte a agressão dos ângulos demasiado agudos, o frio químico do metal; quando a criança a percute ao manejá-la , a madeira não vibra nem range, mas emite um som ao mesmo tempo surdo e claro; é uma substância familiar e poética, que deixa a criança num estado de continuidade de contacto com a árvore, a mesa, o soalho. A madeira não fere, nem se desarranja; ela não se parte, gasta-se, pode durar muito tempo, viver com a criança, modificar pouco a pouco as relações do objecto com a mão; se morre é diminuindo, não empolando, como os brinquedos mecânicos, que desaparecem sob a hérnia de uma mola partida. A madeira faz objectos essenciais, objectos de sempre.

O brinquedo é daqui por diante químico, tanto na substância como na cor; a sua própria matéria é uma iniciação à cinestesia do uso, não do prazer. Esses brinquedos morrem depressa e, uma vez mortos, não têm para a criança qualquer vida póstuma.”   

 

 

 

 

 

 

 BRINQUEDOS DE MADEIRA

 

1978 – Junho e Julho

Cooperativa Árvore, Porto

 

 

Não se trata efectivamente de uma “exposição”, no sentido mais estrito e limitativo do termo, mas de tornar possível a misteriosa comunicação dos que aqui vêm – pequenos ou grandes – com a essência de cada objecto, com a realidade que ele prefigura ou simboliza.

Brinquedo de Madeira, objecto mágico: brinquedo de feira para meninos ricos, brinquedo de festa para meninos pobres. Brinquedo quantas vezes feito por meninos de aldeias perdidas no tempo, perdidas no espaço. Brinquedo mágico da infância longínqua dos grandes.

E, todavia, quase já não há brinquedos de madeira. “Os brinquedos correntes são de uma matéria ingrata, produtos de química, não de uma natureza.” (Roland Barthes)

 

A apresentação do brinquedo de madeira é uma iniciativa essencialmente dirigida à inspiração, à criatividade, à curiosidade natural da criança, faculdades tantas vezes inibidas por uma educação repressiva, pela imposição de mitos, valores e padrões de comportamento do indigente mundo dos adultos.

Mas ela também se destina aos pais, educadores e professores conscientes, que não ignoram que os brinquedos de hoje visam fundamentalmente a aceitação e integração progressiva da criança numa sociedade violenta e ferozmente competitiva. A estes últimos, e muito em especial aos professores de Educação Visual e de Trabalhos Oficinais, endereçamos um apelo no sentido de que colaborem connosco numa exposição itinerante a realizar em meados de Outubro, enviando-nos trabalhos dos seus alunos para que eles possam ser vistos por muitas outras crianças. Gostaríamos, assim, de tornar possível a divulgação desse precioso trabalho anónimo, incentivando em cada criança o apreço pelo trabalho de outras crianças.

 

Nesta apresentação de brinquedos de madeira contamos com a importante participação do Museu de Etnografia e História do Porto, e do seu prestigiado Director Arquitecto Fernando Lanhas, que muito agradecemos.

Ao Gino – mãos de poeta a trabalharem madeira ou a fascinação da metamorfose – e ao José Grade – o rigor, a harmonia e o encantamento – um abraço pela preciosa colaboração.

Ao Arquitecto Guilherme Salvador o nosso reconhecimento pelo entusiasmo com que acolheu esta iniciativa e pela cedência do “Santa Cruz” – a reprodução à escala do avião de Gago Coutinho – e da sua av

ioneta preferida…

Ao Manuel e ao Toninho que quiseram fazer um daqueles carros onde aprenderam a vertigem de se estar vivo nesta cidade.

A todos os que trouxeram coisas, o agradecimento do Pé de Vento.

 

Da tensão entre o jogo e o desejo se gerou esta invenção que é pôr e dispor ou, se se preferir, projectar uma linguagem mágica num espaço vazio: a semelhança das formas; a ilusão do movimento; a harmonização das cores; a fragilidade e o equilíbrio; a fascinação dos pequenos; a infância perdida dos grandes ou a infinita solidão da marioneta suspensa. Quisemos propor uma leitura-percurso: uma das muito possíveis. Entre o mais ingénuo artesanato e o mais sofisticado; entre as peças de fabrico em série e as peças únicas há, todavia, uma coerência para além da própria substância utilizada: a dimensão lúdica do acto de criação, a projecção do criador no mundo da invenção, sem que se esqueça que ver é também inventar.

 

 

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