Nestas instalações ainda mais precárias, procurámos recuperar a dinâmica de criação que tínhamos conseguido na Rua das Virtudes e dinamizar um novo espaço de representação. Dada a proximidade do novo local de trabalho com a sala de espetáculos TEARTO, edificada pelo TEAR, que entretanto se tinha mudado para Viana do Castelo, estabelecemos um protocolo de colaboração, passando a realizar nessa sala as nossas estreias e a apresentar regularmente as nossa criações.

Aí tiveram lugar a estreia e a carreira dos espectáculos “Andando, andando…”, com texto de Teresa Rita Lopes (1988); “O Aniversário da Infanta”, uma adaptação do conto de Oscar Wilde (1991); e a segunda versão de “O Segredo”, de Richard Demarcy (1995).

 

Entretanto, fruto dos contactos e do trabalho anterior, Pé de Vento estabelece uma parceria internacional com o Théâtre-Poème de Bruxelas, estreando em 1989, na Bélgica, “O Privilégio dos Caminhos”, de Fernando Pessoa, numa adaptação cénica de Teresa Rita Lopes. Mais tarde, em 1993, estreia-se em Bruxelas a primeira versão, bilingue, de “O Físico Prodigioso”, de Jorge de Sena, com música original de Paulo Vaz de Carvalho.

Dado que as instalações na Rua do Heroísmo eram alugadas por uma quantia não muito elevada, o proprietário, logo que conseguiu uma melhor oferta, não hesitou em pedir a nossa saída.

Pela segunda vez desfizemos e empacotamos um espaço de criação e montagem de espectáculos, onde, entre muitas outras atividades, continuámos a organizar cursos com o apoio do IEFP, além da itinerância de espetáculos a nível nacional e internacional; e de sessões de animação teatral dirigidas a população local.

 

Nota 2:

Aqui chegados, sem respostas concretas às propostas apresentadas às várias instituições locais e nacionais, impôs-se-nos deixar de equacionar a possibilidade de encontrarmos instalações apropriadas no centro da cidade. É então que surge a oportunidade de entrar em contacto com a Junta de Freguesia de Aldoar, que foi recetiva à nossa proposta, cedendo ao Pé de Vento um espaço de acolhimento nas antigas instalações da Junta, para aí depositarmos parte do nosso material técnico, o que nos deu a possibilidade de ensaiar e construir os cenários dos espetáculos no salão de festas que o executivo autárquico cedia normalmente à população local para os mais diversos tipos de reuniões e de festas familiares.

É neste local de trabalho que tem origem a criação de alguns espectáculos. A montagem e os ensaios de “Um Homem de Bem”, de Raul Brandão, estreado em 1993 no Ateneu Comercial do Porto; o espectáculo “Alma Atlântica”, realizado no “Âmbito dos 125 Anos do Ateneu Comercial do Porto e dos 600 Anos do Nascimento do Infante D. Henrique”, estreado em 1994, também no Ateneu Comercial do Porto; “O Segredo” de Richard Demarcy, primeira versão, estreado em 1995 no Fórum Cultural Vallis Longus (Valongo).

Nota 3:

A partir dos primeiros anos da década de 90, vão ter lugar um conjunto de alterações políticas e administrativas no Porto que darão origem a uma significativa mudança no panorama cultural da cidade. Desde logo as aquisições do Rivoli pela Câmara Municipal do Porto, do Teatro São João (1992) e da Cadeia da Relação pelo Governo Central, entre outros. Também nesta altura torna-se imperioso e urgente encontrar instalações condignas para as Companhias de Teatro da cidade com trabalho regular há mais tempo – TEP, Seiva Trupe e Pé de Vento – cujas condições de trabalho se tinham vindo a degradar com a perca dos seus locais de trabalho.

É aqui que entra a política de descentralização do Secretário de Estado da Cultura Pedro Santana Lopes, com a criação do IAC (Instituto de Artes Cénicas) em Janeiro de 1994. O financiamento anual e regular à atividade do Pé de Vento é retomado nesse ano, ao mesmo tempo que são encetados os processos com vista à instalação das referidas companhias em local próprio. Entre o final de 1994 e o primeiro trimestre de 1995, são encontradas três soluções diversas.

Deste modo, chegámos ao Teatro da Vilarinha…

Com o retomar das conversações com a Secretaria de Estado da Cultura, no final do primeiro trimestre de 1995, de entre as duas propostas então apresentadas pelo Pé de Vento ao Instituto de Artes Cénicas, a escolha acaba por recair, por razões financeiras, no antigo edifício da Junta de Freguesia de Aldoar. A escolha também se fica a dever ao empenho e sensibilidade cultural do seu Presidente, Acácio Gomes, que se predispôs a celebrar de imediato um Protocolo de Cedências de Instalações com o Pé de Vento, o que permitiu iniciar a edificação do Teatro da Vilarinha ainda em 1995.